A FEIRA DE CARUARU


Literatura de cordel
A FEIRA DE CARUARU
Trabalho apresentado na Faculdade Unifavip de Caruaru,
com o pseudônimo SAULO ESCRIBA


Se sentem aqui meus netinhos
Pra mim contar uma historia
Dessa feira que é imensa
E “dôtos” tempo de outrora
Como tudo começou
Escute aqui seu vovô
Vou recordar as memórias.


Vão pegando um tamborete
Se sentem perto de mim
Você que é meu caçulinha
Não fique no sol assim
Sente no colo de vô
Que agora mesmo eu vou
Contar do início ao fim...


Cantada em verso ou em prosa
Até pelo “Rei do Baião”
Sucesso no mundo inteiro
ETodos conhece a canção
“A FEIRA DE CARUARU”
Na norte, nordeste ou no sul
Onildo teve inspiração.


“A feira de Caruaru
Fái gosto a gente ver
De tudo que ái no mundo
Nela tem pra vender”
Quem nunca ouvir esse verso
Sendo este o centro mais certo
Pra quem quer comprar e até ver?


Antes era uma estrada
Do Sertão pra capital
De Pernambuco – Recife
Um caminho bem normal
Por onde passava tudo
De mula, cavalo ou burro
Carro à tração animal.

  
Mas um senhor conhecido
“Zé Rodigues de Jesus”
Mandou fazer uma capela
Na fazenda veio à luz
Uma rua, poucas casas
Dessa idéia alçou asas
                                            Que ao progresso conduz.


A data exata eu não sei
Do primeiro “arruado”
Mas duma coisa estou certo
E todos tem concordado
Caruaru e a feira
Começaram a carreira
Andando de braços dados.


O pequeno “arruado”
Foi crescendo em disparada
E a feira acompanhando
Sempre juntas de mãos dadas
 Parecia brincadeira
Essas duas companheiras
Uma disputa começava.


Foi quando em cinqüenta e três (1953)
Um nobre vereador
Caetano Alves Fonseca
Requerimento assinou
Pra que a feira mudasse
“Prum” canto com mais espaço
Mas dessa vez não vingou.


A idéia que ele tinha
Em referência ao “locá”
“Da casa do capitão
Manoel Félix pra lá”
CELSO GALVÃO foi prefeito
E fez um ato perfeito
Pra solução encontrar.


Foi no ano vinte e dois (1922)
Que construiu três mercados
Pra carne, farinha e açúcar
Um canto mais “propriado”
Pois a feira cresceu tanto
Que num havia mais canto
Que não fosse ocupado.

  
Mas falando sobre a feira
Que cresceu até demais
Era preciso mudá-la
E era urgente, aliás
O centro prejudicava
E o povo já concordava
Ali não cabia mais.


Existia bem pertinho
Um velho “campo de monta”
Examinaram o local
E dissero: “é mermo a conta!”
O local tá definido
Espaço largo e comprido
“Tamanho do boi é a ponta”.


Em dia 16 de maio
Do ano noventa e dois (1992)
Parque 18 de maio
Estava pronto depois
De tudo haver acertado
Cada feirante “assinado”
Quando todos se “dispôs”.


A última feira se deu
Naquele dia exato
Um dia de despedida
Por muitos tão esperado
Alguns até resistia
Mas tristes ou com alegria
Viram o seu “ponto” mudado.


Por 140 (cento e quarenta) anos
Durou o sonho do povo
Só o projeto foi 9 (nove)
Mas a mudança que houve
Na prática foi só um dia
E pra grande maioria
Foi um dia de renovo.


Em 17 (dezessete) de maio
Noventa e dois (1992) era o ano
Logo ao raiar do dia
O sol já se espreguiçando
4.000 (quatro mil) bancos da feira
Se despediam em carreira
Pro novo espaço mudando.
  

Na manhã do novo dia
18 de maio acordava
A cidade estava em festa
Sua data festejava
Fogos, cores e muita gente
De garra, forte e valente
Novo capítulo encenava.
  

O novo pátrio da feira
Parecia teatral
Os filmes de Hollywood
Colorido sem igual
Milhares de figurantes
Até mesmo auto-falantes
Tinha canção magistral.


São mais do que dois quilômetros
De barracos espalhados
Um colorido bonito
Onde tudo é encontrado
Produtos de todo tipo
Já disse, agora repito:
Tem bom, bonito e barato!.


Se você quer comprar roupa
Andar na moda é legal
Calça, cueca ou blusa
Ou mesmo um completo enxoval
Bermuda de todo tipo
Seja de qualquer tecido
A feira é o melhor local.


                                 São mais de 10.000 (dez mil) barracas
E tem pra toda opção
Vem 40.000 (quarenta mil) pessoas
E cada feira aqui estão
É a feira da sulanca
Uma das mais importantes
Aqui em nossa nação.


Mas se você não quer roupa
Seu negócio é artesanato
Você vai na mesma estrada
A feira é no mesmo pátio
Lá você verá produtos
Artistas que dão seus frutos
No mundo são respeitados.


Vocês sabem meus netinhos
Quem foi o seu VITALINO?
Que morou aqui com a gente
Nos bonecos ele era fino
Com sua arte avançou
Nossa terra divulgou
O seu comércio expandindo.


Um escritor bem famoso
Que era daqui da cidade
ÁLVARO LINS brincou na feira
Correndo e em liberdade
Arrodeando as bancas
Na feira aqui da sulanca
Diz um livro e é verdade.


Saias, percatas ou quadros
Bonecos, bolsa ou peneira
Cintos, jarros e até flores
Quadro de vidro ou madeira
Apito, caneco ou prato
Sempre num preço barato
Panelas, brinco ou pulseira.


Mas se não é a roupa
Nem também o artesanato
Que as pessoas procuram
O seu ramo é com gado
Vai encontrar seu negócio
Na feira terá seu sócio
É só esticar seu passo.



Mas seu negócio inda é outro
É coisa do Paraguai
Perfume, relógio, uísques
Eletrônicos e outros mais
Até disco voador
Boneca falante e robô
Fabrico internacionais.


Mas se ainda o seu negócio
É seu gravador trocar
O relógio a bicicleta
Até mesmo o celular
A feira do troca-troca
Se o objeto tem nota
Você pode ir lá tentar.
  

Alguém troca o celular
Por aparelho MP3
Ou um forno microondas
Por geladeira talvez
Ou mesmo uma bicicleta
Por um gravador que presta
Cada qual por sua vez.


Já seu ÉLSON ARAÚJO
Vende creme de arueira
A loção de copaíba
Camomila verdadeira
Seus remédios naturais
Alguns são medievais
Ta curando até gagueira.


Tem também o EDSON TORRES
Que vem se intitular
O médico que é das panelas
O seus problemas a curar
Ocupação que exerce
Há 26 anos, não esquece
Tenho que continuar.


A feira ainda tem
Postos de alimentação
Que é em número de 200
E todos têm tradição
Muitos em panela de barro
Carne de bode ou de gado
E um preço que é um tostão.


Tão gostando meus netinhos?
A história é bem comprida
Tô perto de terminar
Já encomendei a comida
Mas vamos continuar
Depois que a gente almoçar
Levo vocês pra corrida.


O parque que tá armado
Perto tem roda gigante
De cima daquele alto
Vemos a feira num instante
E aqui em nossa cidade
Que é a segunda no Estado
300 mil habitantes.

  
Do total da nossa feira
Tem espaços calculados
250.000 (duzentos cinqüenta mil)
Que é de metros quadrados
É os diversos setores
Milhares de vendedores
Tão aqui localizados.
  
Um companheiro da feira
É o RIO IPOJUCA
Que depois de muito usado
Pede socorro na luta
Terceiro  mais poluído
Nessa nação tem pedido
Socorro pra quem escuta.

  
O Sargento ALDENIR
Por sobrenome CABRAL
Nessa feira já trabalha
Treze anos por sinal
Diz que mesmo tanta gente
Trabalha aqui calmamente
Sem ocorrência anormal.


Mas além de tudo isso
Muito mais a feira é
Um pouco de vida e arte
Pra rapaz, homem ou mulher
Criança, velho, ancião
É só prestar atenção
Lá se fala até de fé.


Barraco que vende bíblia
Disco de padre e pastor
Cd gospel e a difusora
Em alto som dar alô
Pra quem se perde na fila
A mãe que procura a filha
Dar aviso o locutor.


São vários tipos de feira
Dentro de uma feira só
As vezes mudam o dia
Mas o sucesso é maior
Seja no dia que for
Aqui se vende, dar show
Seja com chuva ou com sol.


Mesmo sendo informal
Todos tem o seu trabalho
O seu ganha-pão honesto
E um “dinheiro suado”
Mas são “gente” trabalhando
A feira emprego gerando
Um povo forte e honrado.


Porque sem ter um trabalho
Não tem honra o cidadão
E sem honra mata e morre
Sem ter uma ocupação
“Não dar para ser feliz”
GONZAGUINHA foi quem disse
Naquela linda canção.


Pela sua rica história
Também pela tradição
No dia seis (6) de dezembro
2006 (Dois mil e seis) foi lição
Nossa feira recebeu
O IPHAN lhe concedeu
Um título de “campeão”.


PATRIMÔNIO CULTURAL
IMATERIAL BRASILEIRO
Vai ficando na história
De seu povo hospitaleiro
Maior feira do país
Um povo bravo e feliz
Trabalhador e ordeiro.


O Ministro da Cultura
E cantor GILBERTO GIL
LUIZ FERNANDO DE ALMEIDA
Do IPHAN que anuiu
E até EDUARDO CAMPOS
Governador e outros tantos
Vieram aqui com seu brio.


O Prefeito TONY GEL
Recebeu a certidão
Junto com representantes
Do comércio e artesãos
Até a Banda de Pífano
E outros grupos queridos
Fizeram apresentação.

 Aqui termino a história
Quero saber se gostaram?
... Gostaaaamos vovô, foi linda
Vovô é muito lembrado
Eu nunca vou esquecer
E aos outros eu vou dizer
Do que aqui foi contado.

Escrito em 19 de junho de 2008

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