MINHA PATRIA UMBIGO” CYL GALLINDO ESCREVEU






capa: Desenho de Billy Kid
MINHA PATRIA UMBIGO
CYL GALLINDO ESCREVEU





Cícero Amorim Gallindo
O seu nome de registro
Nasceu 28 de maio
Na cidade de Buíque
No ano de trinta e cinco
Digo a verdade não minto
Venceu a todo imprevisto.

Sociólogo e jornalista
Honrou a nossa cidade
Escritor e bom poeta
Contista de qualidade
Hoje nossa Escola Técnica
Fez uma comenda certa
Deu-lhe o nome em homenagem.

A minha “pátria umbigo”
Ele assim se referia
Ao falar sobre Buíque
Sempre com muita alegria
E por onde ele passou
Declarava seu amor
Minha terra ele dizia.

Ele nasceu em Buíque
Nas terra do Catimbau
Nos livros que ele escreveu
Sua marca principal
Sempre estava ali presente
Sua terra, sua gente
Ao seu povo foi leal.

Quando aqui ele vinha
Sempre ia visitar
Os amigos da infância
Alguns deles vou citar
Varias vezes o acompanhei
No semblante presenciei
O seu prazer ao falar.

Casa de D. Gorete
Nunca deixou de ir lá
Relembrar tempos de infância
Doce e suco saborear
Recordar das traquinagens
De menino na cidade
Dava gosto de escutar.

D. Lia de Austriclínio
Era outra visita certa
A conversa prolongava
Risadas boas e espertas
Assunto nunca faltava
Lembranças sim eram fartas
Bom cafezinho, esperta.

E a casa de Miguelzinho
Seu parente por sinal
A conversa com a família
Na sofá  era legal
Beber água no caneco
Um abraço bem esperto
Dava ao dizer um tchau.

Ele ainda visitava
O Berreca e a Mocinha
A filha de Zé de Né
Por esse povo nutria
Uma grande amizade
Sempre lembrava o passado
Em cada encontro, alegria.


Cyl Gallindo ao passear
Pelo centro da cidade
Vendo que os casarões
Dos tempos da mocidade
Foram todos demolidos
Sendo substituídos
Por lojas e supermercados.

Destruíram nossa história
No centro, a escolinha
Muita história e tradição
Ali por certo ela tinha
Grande crime cometeram
Governantes esqueceram
No ponto, saiu da linha.

Tinha orgulho e carinho
Região do Catimbau
E da bandinha de pífano
Sempre dava seu aval
Vez em quando reclamava
Da atenção pouco é dada
Governo municipal.

Seu Aníbal e Hidelfonso
João Barrão e até Piano
E sua Tia Lotinha
Sempre estava lembrando
Genival, Pedro Perú
Zé Modesto e Badefú
Livro de contos falando.

Personagens importantes
Que marcaram sua história
Tanto na vida real
Como também em sua obra
Quem é bom já nasce feito
O Cyl era desse jeito
Bom de letra e de memória.

A terra de Cyl Gallindo
O Buíque do seu tempo
A professora Dodôce
Lembrava a todo momento
Os altares da igreja
Toda vez que aqui esteve
Lembrava com sentimento.

Dizia que destruíram
Sem explicar o motivo
Indo ao mercado público
Abraçar velhos amigos
Comprova queijo e feijão
Abraço e aperto de mão
Cada parente um motivo.

Esteve aqui certa noite
Em evento cultural
Promovido pelo SESC
Palestra fenomenal
Falou de literatura
Autógrafo e assinatura
Eu tava lá, por sinal.

O Buíque de Galindo
Era de um outro tempo
Da missa do Padre Kerler
Aderita e o momento
Difere de hoje em dia
Seu Severino Padilha
Tinha um estabelecimento.

Em sua mercearia
Vendia vários produtos
Tinha o Janjão da bodega
E piso que era sujo
E o grupo teatral
Um marco fenomenal
Para o indouto e o culto.

As festas de cavalhada
Tempos de usar cachimbo
Os velhos davam pitadas
Ria daquilo o menino
Seu tempo infante marcou
Em sua obra registrou
Eternizou com “carimbo”.

 
Era o tempo do coreto
Lá no centro da cidade
Da bandinha marcial
Que hoje só resta saudade
Paz, sorriso e segurança
O progresso fez mudança
Mas perduram as amizades.

Cyl Gallindo, o buiquense
Teve obras publicadas
Quatorze pra ser exato
Recebeu prêmios e medalhas
No ano dois mil e treze
Em quatro de fevereiro
Se encantou nessa estrada.

Teve obras traduzidas
Em outros terras/nações
Levando nosso Buíque
E suas fortes emoções
Plantou a sua semente
Sempre dizia pra gente:
Divulguem assim meu torrão!.

Esse foi, sim, o Buíque
Que o Gallindo conheceu
A terra que muito amou
E por onde percorreu
Chamou de “pátria umbigo”
Pra encerrar eu lhe digo:
Seu nome enalteceu.

Buíque, abril de 2017

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