quarta-feira, 3 de junho de 2020

OLHANDO FOTOS E REFLETINDO SOBRE A VIDA

                  
                     Na tarde de domingo passado, dia 31 de maio de 2020, fazendo uma faxina virtual em meu computador, me deparei com meu álbum de fotografias, onde armazeno milhares de fotos por assuntos. Ao abrir os arquivos cada foto me chamou a atenção sobre um fato curioso. A brevidade da vida.

                      Centenas de amigos que ontem estavam conosco e hoje já não estão mais. Como costuma dizer o cantor e apresentador Rolando Boldrin: “partiram antes do combinado”. Em cada foto, uma recordação, uma saudade. Alguns personagens partiram há mais tempo, outros recentemente. Só para citar alguns deles:

                    Mário Rocha, conhecido popularmente como “Mário Buchudo”, o oficial do cartório do Registro Civil do distrito de Carneiro e também chefe do alistamento militar no município. Voltei aos velhos tempos de quando fui me alistar, no ano de 1982, justamente no dia 23 de março, quando completei dezoito anos e um dia de nascido. Ele, com seus óculos caindo no “pau da venta”, me pediu os documentos e quando foi preencher meus dados, datilografando numa velha máquina Remington, olhando por cima dos óculos, indagou: -Sua profissão?. Como não possuía emprego oficial, respondi:- Não tenho seu Mário. Ao que ele respondeu com cara de abusado: - Não tem o que homem. Quem foi que já viu um rapaz com 18 anos ainda não ter profissão?. Você já fez algum curso?. Respondi: - Sim conclui recentemente o curso de datilografia. - Então você é datilógrafo rapaz, por que não respondeu logo?.

                       Terminado meu alistamento, se aproximou um amigo que também completara 18 anos naquele mês, e foi também se alistar. Seu Mário, ainda de óculos caindo do rosto, recolheu as xerox dos documentos e indagou: -Cadê as fotos? O rapaz entregou três fotos 3x4 preto e branco. O problema era que o jovem era muito cabeludo e o seu Mário, olhando para ele devolveu as fotos e recomendou: - Alistamento militar é para homens e não para mulheres. Vá cortar esse cabelo e tirar outras fotos que essas daí não servem!...

                         Com todo esse jeitão, aparentemente grosso, seu Mário era um homem pacato, brincalhão e por sinal um dos melhores dançarinos que já vi. Nos carnavais de Buíque, mesmo em avançada idade sempre foi um dos melhores foliões, e na Discoteca de Billy Kid, mesmo já perto dos 70, se misturava em meio aos jovens e dançava de tudo: Forró, rock, lambada, reggae, música lenta (Que sempre dançava com suas filhas) e dava lição nos mais moços, pois só parava quando a festa terminava. Era um “velho moço”, como canta Roberto Carlos.

                       Outras fotos de pessoas que vi dentre as milhares foi o saudoso Dr. José Cursino Galvão. Pessoa de fino trato com o povo, principalmente com os mais humildes. Foi prefeito de Buíque e de Arcoverde e mesmo depois de aposentado continuava consultando e medicando a população, as vezes no Sindicato rural de Buíque dirigido por seu Austriclínio Andrade, ou mesmo na praça pública. Qualquer lugar se transformava num consultório, sempre regado de boas conversas e de lições de vida, que aquele senhor dispensava ao povo buiquense. Lembrando que foi ele o responsável pelo calçamento do centro da cidade,durante sua gestão.

                   Continuando minhas visitas no álbum de fotografias, sem adentrar na história de cada personagem, apenas para lembrar como a vida é passageira, cito os amigos Nevile Araújo, Xéu do cartório, Jorge de Clóvis, Marilack (a jovem mais bonita de sua época), Zezinho Dentista, os jovem Cenildo Ramos, Ubiratan Lopes (Bira), Dornélio, Carlos de Neuda. Mais recentemente seu Antonio Mariquita - meu primeiro patrão (Mercado Santo Antonio) e tantos outros que pisaram nosso solo buiquense, fez amizades e história e hoje já não mais estão mais fisicamente em nosso meio. 

                         Para encerrar a lista de saudosos amigos, não poderia deixar de citar a “amiguinha” CLARA LOPES, que eu chamava de “Clarinha”, com quem tive o prazer de participar de vários eventos culturais declamando poesias ao seu lado e que há pouco tempo se transformou em “anjo”, deixando muita saudade, indo aumentar o número de estrelas que brilham em nosso firmamento.  

Eu e Clarinha em festa social "Os melhores do ano".

                   Tudo isso nos mostra que não devemos semear inimizades, brigar por ideologias ou partidos políticos, andar de “nariz empinado” querendo ser mais importante que todo mundo, porque cedo ou tarde, nos transformaremos em poeira, e o que vai ficar são nossas amizades, pelas quais devemos zelar e viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas, pois não sabemos o que vem no dia de amanhã.         

                  E VIVA A VIDA!  

Outras fotos de amigos citados nesta matéria:

1-Antonio de Mariquita, 2-José Inácio (Xéu do cartório) e 3-Dr. José Cursino Galvãoo
Mário de França Rocha (Mário Buchudo) - O maior folião de todos os tempos
Seu Austriclínio Bezerra e ZezinhoDentista
                       
1-Cenildo Ramos, 2-Ubiratan Lopes (Bira), 3-Nevile Araújo e Xéu do cartório 
Modernão Futebol Clube. Destaques da publicação: Marilack, Dornélio e Carlos de Neuda



 

terça-feira, 26 de maio de 2020

NOVA DICA DE LEITURA: CONTRA UM MUNDO MELHOR, DE LUIZ FELIPE PONDÉ



                   Na tarde de hoje conclui a releitura do livro CONTRA UM MUNDO MELHOR (Ensaios de afeto), do filósofo Luiz Felipe Pondé. A primeira leitura aconteceu em maio de 2018. Como gostei da obra a reli agora, com mais tempo, degustando cada página com atenção e analisando o melhor do seu conteúdo.
                                                    
                     Pondé é pernambucano, nascido em Recife e, além de filósofo, é escritor e professor da PUC-SP e da FAAP, professor convidado da Escola Paulista de Medicina da Unifesp; é também colunista da folha de S. Paulo, Doutor em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Univrsidade de São Paulo (FFLCH-USP) com pós-doutorado pela Universidade de Tel Aviv, em Israel. É muito requisitado para proferir palestras no Brasil e no exterior e mais recentemente vem participando, com bastante desenvoltura que lhe é peculiar, como comentarista de temas diversos no Jornal da TV Cultura.
 
                     Sobre o livro, como o subtítulo já diz, trata-se de um ensaio, no qual o autor, com seu estilo provocador e polêmico, discorre sobre vários temas, tais como casamento, traição, feminismo, moralidade, vida, morte, liberdade, culpa, pureza e imperfeição. São apenas alguns dos tópicos que o leitor verá numa leitura prazerosa, mas também cheia de provocações, uma das características do autor.

                    O próprio escritor diz que o livro não é destinado para pessoas virtuosas (que são um saco, em sua opinião). Ele não é contra a virtude, mas sim contra as pessoas que se dizem “santinhas”, honestazinhas, etc. Numa linguagem bíblica, fariseus, sepulcros caiados. Critica também a sociedade pós moderna que discorda dos religiosos porque dizem acreditar em Deus, mas ao mesmo tempo em que acham brega acreditar em Deus, creem em duendes, horóscopos, etc. O autor também faz críticas aos “intelectuais de plantão”, pessoas que se acham inteligentezinhas só porque leram três ou quatro livros e se rotulam como os mais capacitadas da turma.

                   Este é o segundo livro que leio do Pondé. O primeiro foi “Guia politicamente incorreto da filosofia”, cuja dica de leitura também foi postada nesse site em 01 de dezembro de 2014

                   Sobre a obra hoje comentada, destaco o que disse um certo leitor, que em poucas palavras resume o que é o livro e seu autor: “Pondé provoca, desequilibra... Ou seja faz as pessoas saírem do conforto...acredito que essa seja mesmo sua intenção. Sem hipocrisia!”

Abaixo destaco alguns textos, para despertar no leitor mais curiosidade na leitura:

Homens deprimidos são sistematicamente abandonados; enquanto mulheres deprimidas reconstroem a vida todo dia (...) Mulheres deprimidas saem mais facilmente da depressão, muitas vezes sem ter o seu casamento original danificado”.
                                     Página 36.

“Nada mudou no mundo, tirando o fato de que nós perdemos todos os direitos que tínhamos”.
                                       Página 37


“Para haver virtude é necessário haver combate, sofrimento, dor. Não há virtude no vácuo da agonia”. 
                                         Página 64

“Dependemos da graça para sermos virtuosos. Nossa natureza vaidosa e orgulhosa por si mesma nunca sairá do seu pântano pessoal”.
                                          Página 64.

“Somos escravos da felicidade, mas é a infelicidade que nos torna humanos”.
                                          Página  65
“A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam que apenas porque tem boca podem emitir opinião sobre tudo”.                  
                                          Página 73.
 
“Existe um pacote de mentiras básicas se você quiser ser considerada uma pessoa chique num jantar inteligente.... tudo é farsa na pretensa vida superbem resolvida dessa gente superlegal envolvida em jantares inteligentes”.

                                         Página  95

“Pessoas bem resolvidas são as maiores escravas da moda, apesar de dizerem que não são”.
                                          Página 97

“Prefiro o mundo antigo à breguice moderna” -  Página 129
                                     

“Em nome de um emprego melhor, em nome de sentir menos medo diariamente, em nome de conseguir melhor qualidade de vida, aceitamos qualquer crime”
                                         Página 146.

“Nos sentimos mais tranquilos quando outros estão sendo destruídos em nosso lugar. Estamos sempre dispostos a nos calar quando um jantar a mais é garantido”.
                                         Página 147.

“O segredo da maturidade é perceber que muito da vida é uma meditação sobre a morte.... Amadurecer é se aproximar da morte e sentir o cheiro da insignificância de tudo”.
                                           Página 173.

 “Temos que ir ao deserto para ver Deus: o deserto materializa a visão hebraica de homem; somos vento que passa, pó que sofre, pensa e chora. Construir uma consciência do deserto não é para covardes. O Deus de Israel não gosta de covardes... Fora de Deus tudo é vaidade e vento que passa”
                                          Página 202

Trechos de opiniões do autor sobre política, extraídos de vídeos publicados na internet. Vide Link Abaixo:

“O eleitor não está preocupado com política, mas com o seu bolso.
Vota porque é obrigado a votar. Ele está preocupado com coisas concretas do dia a dia. Quem está preocupado com política é cientista político, filósofos, jornalistas, grupos parapolíticos como MBL, MST, e os próprios políticos, etc.” 

“Eleitores não tem nenhuma consciência política, o que eles tem é uma visão de mundo que eles acham que é consciência política. O que eles na verdade tem são taras pessoais, interesses de classes, ou motivos pragmáticos”.
  

Livro: CONTRA UM MUNDO MELHOR (Ensaios de afeto)
Autor: LUIZ FELIPE PONDÉ
Editora : LEYA - São Paulo.
1ª Edição. 2ª Reimpressão.
Ano 2010.
Nº de páginas 215

Uma crônica politicamente incorreta. (Entrevista - A Democracia e o eleitor – Link: