segunda-feira, 14 de maio de 2018

DICA DE LEITURA: GEORGE ORWELL - O HOMEM QUE PROFETIZOU A SOCIEDADE HODIERNA


         Acabei de ler hoje mais uma grande obra da literatura internacional, cuja leitura recomendo a todos que apreciam um bom romance fictício com foco político. Trata-se do livro 1984, escrito na década de 50 e publicado em 1949, pelo escritor, jornalista, ensaista e romancista inglês Eric Arthur Blair (1903-1950), sob o pseudônimo de George Orwell, falecido em 1950, vítima de tuberculose.

         Nessa obra, o autor faz uma grave denúncia das injustiças sociais e do mau que um governo totalitário faz a humanidade,  ao mesmo tempo em que conquista as massas. Na verdade, esse livro é uma denúncia das mazelas que todo regime totalitário causa em uma nação. Seja ele militar ou socialista comunista.

         O que mais prende a atenção do leitor é a inteligência e o talento do autor, na descrição da trama - que foi traduzida em mais de 60 países, sendo, inclusive transformado em minissérie - é o fato de o enredo ter sido escrito há mais de 90 anos e nitidamente remete o leitor para os dias atuais. Com muito bom humor a história fala sobre o futuro, mais precisamente o ano de 1984. Como viveria a humanidade diante das grandes mudanças, tanto no mundo político quanto nas formas de governos?. Como viveria a sociedade diante de tanta vigilância: “Sorria, você está sendo filmado !”.

         Na trama, o mundo está dividido em três continentes que vivem sempre em guerra, numa forma a controlar a população e mostra que somos vigiados o tempo todo, como nos mostra o popular  programa  BIG BROTHER  (o Grande Irmão). Na obra Big Brother é o partido político que é dividido em ministérios: o primeiro é o da Verdade - que se ocupa de transformar toda verdade em mentira, através de falsas estatísticas, falsos relatórios, cuidando de apagar de todos os jornais, revistas e livros, principalmente os didáticos, tudo quanto não lhe interessa, substituindo por aquilo que lhe seja favorável.

         Outro ministério é o da paz, que e cuida das guerras. Uma de suas ocupações é controlar a sociedade, através de programas de televisão, como de fato acontece atualmente. Não fica fora as copas mundiais, as olimpíadas, e os chamados programas de intretenimento. Já o Ministério do amor, se ocupa em manter a lei e a ordem. Por fim, o Ministério da Fartura, se ocupa das atividades econômicas.

         No romance fictício político, que tem Londres, como cenário, a população está dividida em 03 camadas:  A alta, representada pelo partido Interno, com 2% da população. O Núcleo do partido, que manipula todo mundo. Em seguida vem a camada B, representada pelos aliados do partido, com 13%, que são os ministérios (os mais fiscalizados), que nunca podem emitir qualquer opinião contra o governo, o Estado, representado pelo Grande Irmão (BIG BROTHER). Por fim, vem a classe C, representada pelos proletas, que é proletariado, com quase 90% da população que vive às margens da sociedade.

                  O personagem principal do livro é o Sr. Winston, que tem 29 anos de idade e vive o período pós guerra. Ele é membro do Ministério da verdade e em determinada circunstância, percebe o que está ocorrendo no interior do seu partido e, inconformado com a situação começa fazer anotações, com muito cuidado, já que pode está sendo “filmado” pelas teletelas e, de forma nenhuma poderá ser visto. Sua intenção é se rebelar contra o partido. A fala é resumida e reproduzida em expressões oblíquas. 

         A fidelidade partidária é tão grande que filhos chegam a entregar seus pais às autoridades, visando algum benefício do grande irmão (BIG BROTHER). Não se pode criticar o governo, sob pena de perseguição até de morte. A pessoa pode ser torturada, apagada (literalmente) da história, ter até seus registros apagados, tornando-se uma "impessoa". O governo passa a idéia de bonzinho, mas na verdade é o contrário.  Winston conhece Julia, com quem vive um romance, mas, como o governo controla até o prazer, eles resolvem viver o romance de forma escondida. Pensam até em desconstruir o partido, para evitar que as futuras gerações sejam manipuladas.

         Quem disse que o que aprendemos na escola sobre a nossa história não foi modificado, de acordo com o interesse do partido ou do governante:? Até porque a história sempre é contada pelos vencedores.

         A mídia controla a sociedade através de novelas e programas de entretenimento. O governo faz o mesmo através das olimpíadas, copa do mundo, carnaval, escondendo o que de fato acontece no momento.

              Frases de efeito e comentários (entre parênteses) deste blogueiro:

"Inútil experimentar o elevador. Raramente funcionava, mesmo no tempo das vacas gordas, e agora a eletricidade era desligada durante o dia". (O que vemos diariamente nos serviços públicos)

"Havia um cartaz na casa defronte: “O grande irmão zela por ti”, dizia o letreiro”. (O mesmo que vemos atualmente nos slogans dos governos  do nosso pais: “Governando para o povo”; “ O pobre agora tem vez”; Ao povo o que é do povo”); 

 "Qualquer barulho que Winstou fizesse, mais alto que um cochicho, seria captado pelo aparelho. (...) naturalmente, não havia jeito de determinar se, no dado momento, o cidadão estava sendo vigiado ou não". (hoje, principalmente nos grandes centros estamos sendo filmados o tempo todo. Em Lojas, Shopping centers, hotéis, etc. E quando enviamos uma mensagem, quer pelo Whatsapp, quer seja por e-mail ou qualquer outro meio eletrônico, estamos sendo vigiados pelo grande irmão).  

 "O estranho, todavia, é que embora Goldstein fosse odiado e desprezado por todo mundo, embora todos os dias, e milhares de vezes por dia, nas tribunas, teletelas, jornais, livros, suas teorias fossem refutadas, esmagadas, ridicularizadas e apresentadas aos olhos de todos como lixo a toa... e apesar de tudo isso, sua influência nunca parecia diminuir. Havia sempre novos bocós esperando para serem seduzidos". (Essa declaração dispensa comentários e qualquer leitor pode interpretar a seu critério, pois as chances de acertar, sejam qual for sua visão, será sempre acertada).

"Nesses momentos seu ódio secreto pelo Grande Irmão se transformava em adoração, e o Grande Irmão parecia crescer, protetor destemido e invencível, firme como uma rocha..."

"Ninguém ouviu o que o Grande Irmão disse. Eram apenas palavras de incitamento, o tipo de palavras que se pronunciam ao vivo do combate, palavras que não se distinguem individualmente, mas que restauram a confiança pelo fato de serem ditas.

  "Usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia que o partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer...".

 "O trabalho físico pesado, o trato da casa e dos filhos, as briguinhas com a vizinhança, o cinema, o futebol, a cerveja e, acima de tudo, o jogo, enchiam-lhes os horizontes. Mantê-los sob controle não era difícil. (...) Como dizia o lema do partido: “Os proles e os animais são livres”.
  
"A Loteria, com seus enormes prêmios semanais era o acontecimento público a que os proles davam a maior atenção. Era provável que houvesse milhões de proles para quem a Loteria era o principal, se não o único motivo de continuar a viver".

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