quinta-feira, 30 de outubro de 2014

UM MÉDICO DAR A LUZ AO “CRIADOR” E DE QUE QUEBRA ENCHE O MUNDO DE POESIA


     JULIÃO JULU GUERRA NETO, grande ser humano, médico e líder político. Agora, para completar mais a lista de adjetivos, acrescento mais um que me torna ainda mais seu irmão.  É que o personagem também apresenta-se como um exímio escritor e poeta.

    Recentemente lançou mais uma obra de sua autoria contendo “um punhado” de poemas e poesias que, em dias tão estressantes como os atuais, só vem encher nossa alma de alegria e gozo. Digo mais uma obra, porque Julu lançou outro livro em 1996, em parceria com o seu irmão Ediel Guerra, sob o título “DUETO”.

        Com o título “O CRIADOR”, o trabalho mais recente de Julu Guerra, lançado pela Editora Olindense Livro Rápido, apresenta ao público um leque de belíssimas poesias distribuídas em 199 páginas recheadas de muita reflexão, sobre idas e vindas, amor e solidão, alegrias e angústias, dúvidas e fé, trégua e cansaço.

       Quem fez a apresentação da obra foi o poeta e escritor Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti. Por sinal, uma bela apresentação. De tão bela, destaco dois trechos de suas palavras:

 “(...) Julião traz a força da perfeição, sem alarde, com naturalidade, e a graça da magia com alarde, terreno comum onde ele faz nascer o belo, a alegria, a sublime simplicidade de viver. “Viver de modo a que queiramos voltar a viver, e assim por toda a eternidade (...)”.

                        Adiante, prossegue:

(...) “A liberdade é um sorriso largo no rosto da poesia de Julião; e aí volto à ideia dos riachos da minha infância, que certamente o poeta de “O Criador” pode limpar seus pés e alimentar sua alma: mantendo esse mesmo vadio desperto, perturbando “o sono dos carrascos”, e correndo por entre o homem, sendo poeta, viajando por entre a alma humana, estrada comum, lendo-a com sensibilidade aguçada a lapidar “diamantes de utopia”. E, em meio ao caos, poder dizer: “Nós, os que brincarmos de sobreviver inteiros ao espanto de estar vivos (...)”. 

       Já a orelha do livro foi de responsabilidade de Paulo Salles Cavalcanti, escritor, poeta e sócio da UBE-PE, que em suas palavras enalteceu a nitidez e a sensibilidade poética do autor da obra, ao mesmo tempo em que destacou a sua leveza e liberdade na criação poética: “Nada lhe aprisiona: regras, correntes literárias, conceitos ou preconceitos.

“Fica claro o seu propósito de não querer salvar o mundo. Antes deseja salvar-se a si mesmo, vivendo e valorizando a arte de viver as coisas simples”.
    
       Difícil escolher as melhores poesias ou os melhores poemas. Cada leitor se identifica de forma diferenciada com as letras, porém, quero destacar cinco, e dessas, transcrever uma, registrando que os leitores poderão fazer diferentes escolhas.

        Como não poderia deixar de ser a que leva o título da obra “O Criador” merece destaque, eis que o humano se confunde com o celestial e a beleza do viver deixa de ser efêmera para se tornar eterna. A capacidade para reinventar uma história, quiçá “o mundo” está inata em cada ser humano.

         Outros que faço destaque são: “Silencio de ouro”, seguido de “Lembrança” que o autor dedicou a sua mãe, que por final foi professora deste escriba. A quarta que indico para o leitor é “O caminho de cada um”, tão crua e real como a espada do lutador, ao mesmo tempo tão libertária e doce como o vôo de uma pomba. A quinta que indico, e é ela que quero transcrever é “Nostalgia”.
                                                            Ei-la:

                                                    NOSTALGIA

                                               Nós éramos jovens,
                                               confiantes e cheios de sonhos
                                               e tudo parecia tão fácil:
                                               bastava levantar barricadas
                                               gritar palavras de ordem
                                               e erguer os punhos revoltados.

                                               Sei que ninguém recupera
                                               a inocência perdida
                                               mas na alma do poeta
                                               o sonho nunca se acaba.

                                               Hoje olho para trás
                                               e com terna melancolia
                                               também sinto saudades
                                               do tempo em que nós íamos
                                               salvar o mundo.


       Poderia indicar também “O grande cansaço”, “Aquieta-te”, Os injustiçados” e outras tantas mas deixo que o leitor faça suas próprias escolhas.

     Parabenizo o criador de “O CRIADOR”, o nobre Julião Julu Guerra Neto, e desejo êxito em todos os seus projetos de vida, almejando que novas obras poéticas brotem de suas veias e que o público, apreciador da seara poética possa beber de sua fonte inesgotável de sapiência.
   
       Aproveitando a oportunidade, agradeço de coração a amiga e colega de trabalho Nery Lourenço da Silva, arcoverdense que dignifica o Poder Judiciário de Buíque e com muita eficiência exerce o cargo de chefe da Secretaria Judiciária local. Foi ela quem mais uma vez me presenteou com um belo livro, desta fez foi a obra aqui comentada. Obrigado Nery. Grande abraço a você e aos irmãos de Arcoverde.  



Nenhum comentário:

Postar um comentário