sexta-feira, 10 de outubro de 2014

PARABÉNS FERREIRA GULLAR. O MAIS NOVO "IMORTAL" DA ABL


    Na tarde de ontem, dia 09 de outubro, o poeta FERREIRA GULLAR foi eleito, em primeiro escrutínio, o mais novo “imortal”, membro da Academia Brasileira de Letras. Ele vai ocupar a cadeira de nº 37, que pertenceu ao poeta e tradutor Ivan Junqueira, morto em junho deste ano. Essa mesma cadeira já pertenceu a Silva Ramos (fundador), Getúlio Vargas, Chateaubriand e João Cabral de Melo Neto.

        Num total de 37 votos, 36 elegeram Gullar e um foi em branco. Os outros candidatos eram Ademir Barbosa Júnior, José Roberto Guedes de Oliveira e José William Vavruk, que poderão candidatar-se posteriormente, já que existem duas cadeiras vagas, portanto, passíveis de eleições, que são as deixadas pelos “imortais”  João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, mortos duas semanas após Junqueira.
        A eleição para a cadeira deixada por João Ubaldo está marcada para o dia 23 de outubro. Já a que pertenceu a Suassuna acontecerá no dia 30 do mesmo mês. Quem também vai concorrer uma vaga, e, segundo informações é um dos favoritos é o escritor Zuenir Ventura.  
        A posse de Gullar acontecerá possivelmente no fim de novembro ou início de dezembro do ano em curso. Ele disse está muito feliz com a eleição, apesar de já esperar o resultado, pelo que os acadêmicos lhe disseram. “Mas na hora que acontece é diferente. Vira realidade mesmo, deixa de ser promessa”. Confidenciou.

“Foi uma eleição muito generosa. Ele foi escolhido com muito carinho. Foi um ingresso auspicioso. Ele entra nessa casa com sua poesia. O acolhemos com muita galhardia. Ele está entrando na instituição presidida por Machado de Assis”, disse a imortal Nélida Piñon, durante a tradicional queima de votos após a eleição.

        Nascido em 10 de setembro de 1930, em São Luis do Maranhão, Ferreira Gullar é um dos mais aclamados autores brasileiros vivos. É o pseudônimo de José Ribamar Ferreira. Publicou seu primeiro livro “Um pouco acima do chão” aos 19 anos de idade. Dentre suas principais obras estão: “A luta corporal” (1954), “Dentro da noite veloz” (1975), “Poema sujo” (1976) e “Na vertigem do dia” (1980). Seu mais recente é “Em alguma parte alguma”, que ganhou o prêmio jabuti de Livro do ano em 2011.

        Minha ligação com a poesia de Gullar veio através da musica de Fagner. O poema traduzir-se, transformado em canção, gravada no ano de 1981, foi e ainda é grande sucesso na voz do cearense. Eis o poema: 
                                TRADUZIR-SE
                         Ferreira Gullar

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa e pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte? 

          Outro belo poema de GULLAR, transformado em canção e gravada pelo cearense Fagner no ano de 1984 foi “Cantiga pra não morrer”. Confiram:

         CANTIGA PRA NÃO MORRER

Quando você for se embora
Moça branca como a neve, me leve.
Se acaso você não possa me carregar pela mão,
menina branca de neve me leve no coração.
Se no coração não possa por acaso me levar,
moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento, menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


                            Ferreira Gullar


Mesmo distante, nossos mais sinceros cumprimentos ao novo “imortal” com votos de paz, saúde, êxito e muita, muita poesia.

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