domingo, 10 de agosto de 2014

MINHA HOMENAGEM AOS PAIS

           
Foto 1- Seu Dí no seu primeiro carro. Foto 2-Com os meus três filhos e 3-Seu Nadú, meu avô paterno.

          Hoje, quero abraçar todos os pais de minha cidade, e porque não dizer do Brasil e do mundo.

         Quero agradecer pelo pai que tive, mesmo na sua simplicidade, mas que soube traduzir em gestos, o que de melhor era possível durante sua vida, é claro, à sua maneira.

      Homem de poucos estudos, oriundo do sítio Barreiras, região do distrito Guanumby, ou São Domingos. Seu Édio Arcoverde, mais conhecido popularmente como “seu Di”, na verdade nunca foi um homem habilidoso com a agricultura. Quando casou e saiu da “ribeira” para esta cidade, inicialmente adquiriu um sítio localizado na chamada “Baixa Preta”, que depois foi vendido para o Sr. Bedeu e “seu Dí” veio morar na rua.

         Aqui na cidade morou inicialmente na atual Av. Jonas Camelo, onde hoje reside o amigo Jorge de Clóvis (em frente a casa de Toinho e Zefinha). Inclusive, foi naquela casa que eu nasci, nos idos de 1964. De lá meu pai  mudou-se para a casa situada na praça Cel. Félix de França, onde residiu a professora D. Marlene. Dessa rua tenho muitas recordações, porque da anterior, por ser muito criança, não guardo nenhuma.

         Me recordo claramente de alguns invernos rigorosos em nossa cidade. Meu pai e meu avô (Seu Nadú) sentados no sofá da sala (meio estragado, coberto com lençóis), e os dois conversando, ao mesmo tempo que ouviam um programa sertanejo ao cair da tarde, num rádio daqueles antigos. As canções eram modas de violas e vez por outra aquela dupla que fazia muito sucesso na década de 70 “Ludugero e Otrope”.

          Me recordo também quando a gente se mudou de daquela casa, que era alugada para nossa casa própria. Foi uma conquista. A casa nova agora era na Av. Dr. João Hieceno Alves Maciel, próximo ao campo de futebol e para quem era criança, o local era mais especial porque ficava próximo ao lugar onde eram armados os circos.

         Nessa época meu pai negociava com caprinos e vez por outra via um caminhão parar próximo de casa com vários carneiros e bodes na carroceria, sendo depois conduzidos para o quintal da nossa casa...

         Depois, meu pai conseguiu um emprego na prefeitura e passou a trabalhar no açougue público. Era uma festa danada quando ele chegava de tardezinha trazendo alguns pacotes de bolacha “matafome e cocadas”, sem contar com alguns quilos de carne, pendurados num fio de palha de coqueiro.

         O tempo passou correndo feito carro fórmula um e pai começou a trabalhar também como porteiro do cinema de Jurandir. Alguns anos depois começou a trabalhar também como motorista de transporte alternativo na linha Buíque-Arcoverde.

         Com o passar dos anos, meu pai comprou o cinema e tudo corria às mil maravilhas...

         Me admira hoje, depois que meu pai “viajou”, a paciência para criar sete filhos, as preocupações, que não demonstrava ter, mas que com certeza existiam. Minha mãe era mais preocupada com os estudos, enquanto meu pai ele era mais com as necessidades do lar. Comida, vestes, etc. Mas, era o jeito dele. Uma coisa que posso garantir a todos: Meu pai gostava de barriga cheia. 

         Outra coisa que me lembro era quando um de nós (os filhos) sentia dor de dente. Meu pai vinha com aquela mão grossa, colocava o dedão polegar em cima do buchecha e fazia uma oração ou reza e em poucos minutos a dor sumia. Era feito comprimido Doril.
     
         As vezes, meu pai, brincando com a gente cantarolava:

“Buchada, bucho, buchecha
  Buchecha, bucho buchada,
  Passa a faca na buchecha
  E deixa a danada pelada.”

                   Será que herdei dele o gosto pela poesia de cordel?

         Foi esse o pai que tive. Não teve muitos estudos. Dizia que só estudou até a segunda série primária. Quando aprendeu a ler e, de matemática, a quatro operações, abandonou a escola, e nunca mais retornou aos estudos. Coisa muito comum à época. Sua escola foi a vida e como ela tem muitas lições, creio que ele aprendeu muito.

       Agradeço, através desta mensagem (o que fiz muitas vezes pessoalmente), por tudo que ele fez por mim e pelos meus irmãos, e de quebra, mando um abraço para todos os pais. Esses grandes heróis, que mesmo em tempos difíceis mantém um casamento honrado, ou mesmo diante das lutas da vida, separados ou num segundo casamento, criam seus filhos, com amor e fazem todo o possível para ver sua prole honrada.

         Faço votos que DEUS abençoe todos os pais e todas as famílias. Ele que é nosso verdadeiro pai seja como “uma galinha que protege os seus pintinhos debaixo das asas”, e que nós os filhos, possamos reconhecer a difícil e linda tarefa criar, educar e amar os seus filhos, que são herança do Senhor.

Feliz dia dos pais!.  

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