sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O “CAMINHO DE PEDRAS” DE RACHEL DE QUEIROZ.





         Considerando que um dos meus “vícios” é ler. Nos últimos 60 dias devorei cinco obras com temas variados. Foram elas: "RUI BARBOSA - Da coleção a Vida de Grandes Brasileiros, da Editora três", "ALEXANDRE E OUTROS HERÓIS", de Graciliano Ramos, da Editora Record, "O SAPO QUE ENGOLIA ILUSÕES", de Moacir Japiassu, da Atual Editora, "GUERRA E PAZ", de Liev Tolstói, da Editora Cia de Letras e "CAMINHO DE PEDRAS", de Rachel de Queiroz, da coleção Aché dos imortais da Literatura Brasileira . 

       Hoje comento sobre uma delas. Trata-se do livro “CAMINHO DE PEDRAS”, escrito por Rachel de Queiroz, Publicado em 1937. Nessa obra, a escritora cearense se equipara a renomados escritores da literatura universal. 

         O enredo da obra trata sobre a época em que a ditadura militar imperava em nosso país, sob o comando do presidente Getúlio Vargas. Os personagens principais são Jean Jaques e Noemi, que são casados e tem um filho pequeno, chamado Guri e  Roberto, um jornalista carioca que viaja do Rio de Janeiro com destino ao Ceará, a fim de fundar um sindicato/partido socialista. Lá chegando se junta a um pequeno grupo de trabalhadores e intelectuais em prol de um socialismo utópico. Aos poucos o líder do grupo, Roberto vai conseguindo juntar em torno de si e dos seus ideais alguns amigos. Dentre eles, está Roberto, que vem se tornar o primeiro secretário do sindicato. Sua esposa Noemi, também se junta ao grupo. 

                  Na página 68, tem uma passagem interessante. Apesar de escrita em 1937, o tema ainda é bastante atual. O grupo de operários realiza um comício na praça da estação, quando o personagem “Vinte e Um” sobe num banco e abre o evento. Era contra a Caixa de Beneficência:

- Ladrões, roubam o nosso sangue, roubam o nosso salário, se enchem, e o que fica:? Não tem hospital, não tem escola, não tem pensão, não tem nada!. Para onde vai o dinheiro das mensalidades? Ladrões, ladrões!”.  

                   O comício prossegue com vários discursos inflamados até que o tropel das ferraduras e a cavalaria aparecem e dispersam o grupo, prende alguns membros e em poucos minutos a praça está limpa de gente.

                  O fato é que, entre reuniões e encontros, como acontece na vida real, Roberto se apaixona pela mulher do amigo Jean Jaques, a Noemi. Durante um bom tempo eles conseguem disfarçar dos amigos e de Roberto, até quando, por insistência do amante, ela resolve assumir o romance. A maior dificuldade dela é contar para o seu marido o fim do casamento, já que entende que o mesmo não deu causa e sempre a tratou muito bem, contudo, entende que encontrou o seu verdadeiro amor. Ela ainda tenta continuar se encontrando com o amante sem terminar o casamento, já que até ali vivia em paz e harmonia, contudo, essa paz não conseguiu vencer a paixão repentina pelo amigo de luta sindical Roberto. Noemi resolve, então, contar tudo ao marido. 

                   O momento da confissão é um dos pontos fortes da obra e a separação nesse momento é algo inevitável. Jean Jaques, ao saber da “traição”, arruma a mala e vai embora, deixando o filho com Noemi. Esta não se desfaz apenas do casamento, já que como conseqüência perde o emprego em um “stúdio de fotografia” e a companhia de algumas amigas, eis que a sociedade também a reprovou.
                   Adiante, o Guri, filho de Noemi com Jean Jaques adoece e acaba morrendo. Os amigos Felipe e Angelita... um a um, vão “desaparecendo”. Até o  atual companheiro Roberto, que procurava dar apoio a Noemi, é preso e levado para longe, envolvido com “propaganda subversiva”. Justamente ele, que ela pensava ser o verdadeiro amor. 

                   Agora sozinha, sem amigos, sem o filho, sem o companheiro, Noemi chora, e chora muito...

                   O único consolo que ainda resta é um filho que se encontra no ventre, fruto do seu relacionamento com Roberto, este futuro pai que termina a história preso, no sul do país, não se sabe exatamente onde, enquanto que Noemi ... “depois de semanas terríveis, inúteis, conseguira se arranjar numa casa de roupas bancas. Costurava o dia todo, curvada sobre a máquina, abafando, interrompendo-se de vez em quanto para tomar um pouco de ar, enquanto no ventre o filho de Roberto aumentava a se debatia”...

                   A obra é concluída com Noemi pensando em deixar aquele trabalho e procurar outro mais leve que rendesse para ajudar na comida e permitir ao menino crescer á vontade, espernear á vontade. 

                   Caminha devagar conversando com o filho no ventre, quando pisa em falso numa pedra solta. Arrima-se ao muro. O pequeno se sacode todo, comovido também com o choque. 

                   Noemi sorrindo, ampara com a mão o ventre dolorido, e exclama:
- Mais devagar companheiro!. E volta a subir a ladeira áspera, devagarinho.   

                 Nessa obra Raquel descreve com muita clareza a ilusão, e porque não dizer, a utopia do amor perfeito. Mostra que a realidade do dia-a-dia deixa morrer não só sentimentos e anseios, mas também demonstra que o ser humano muitas vezes percorre CAMINHOS DE PEDRAS, não tão fáceis de serem vencidos.

         Todo o enredo tem como pano de fundo a luta pela liberdade e a política, palco de muitas disputas, muitos sonhos e porque não dizer, muitas “desilusões”. 

       A obra conta com 150 páginas, recheadas de muita emoção. Vale a pena ser lida. Para um bom leitor, 4 a 5 dias são suficientes. Nesse período eu li e reli a obra. Valeu a pena!.

Breve comentarei sobre as outras obras

5 comentários:

  1. Tem mais trechos do livro que o senhor pode botar ?????

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    1. Tem sim, não coloquei mais para que a matéria não fique muito longa. Obrigado pela leitura e pelo comentário. Se quiser adquirir a obra, pesquisei agora na estante virtual e vi que lá você encontra por um valor, a partir de R$ 7,00. o Link segue abaixo.
      https://www.estantevirtual.com.br/livros/rachel-de-queiroz/caminho-de-pedras/114886024?q=caminho+de+pedras

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    1. Gabriele, primeiramente, obrigado pela leitura da matéria neste blog. Sobre a resenha crítica, não fiz pois a intenção principal é despertar o interesse do leitor em conhecer a obra,por isso fiz o resumo simplificado, sem essa preocupação. Mas agradeço pela sugestão, vou procurar fazer isso nas próximas postagens, mas sempre de forma simples e resumida. Abraço.

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