domingo, 9 de junho de 2019

POLÍTICA E RELIGIÃO, SEPARANDO IRMÃOS E DESFAZENDO AMIZADES




         Sempre achei esses dois assuntos polêmicos e separatistas, por isso muito me esforço para falar pouco sobre eles, principalmente em redes sociais. já fiz isso há algum tempo, como muitos, mas atualmente procuro evitar o máximo. Não que não tenha simpatia pelos temas, mas pela forma como são utilizadas pela grande parte da população, procuro evitar conflitos, mesmo sabendo que esta matéria, talvez venha a polemizar. Mas não deixa de ser apenas a minha singela e sincera opinião, como sempre respeitando quem pensa diferente.

          Sobre o tema religião, é de bom alvitre atentarmos para o significado da palavra para que possamos continuar nossa análise. Religião vem do latim “religare” e tem o significado de religação. Essa religação se refere a uma nova ligação entre o homem e Deus. 

       Infelizmente, na prática a coisa é um pouco diferente. O que mais presenciamos são “irmãos” e líderes se achando os “donos do céu”e procuradores do reino divino. Só  é certo o que pensa e prega sua denominação, embora disfarcem que não é assim, mas na raiz da questão  é assim que são “doutrinados” essa é a realidade. Sobre esse fato, me permitam contar três casos reais:

      Um amigo, que há mais ou menos dez anos é pastor de uma denominação no sertão deste Estado, me contou que tinha um amigo de infância e que  sempre andavam juntos, jogava bola no mesmo time, brincavam e estudavam na mesma escola, até que um dia esse amigo “se converteu”. De repente mudou a forma de convivência e vez ou outra sempre pregava para que aquele amigo se convertesse também. O problema é que a intenção não era que o amigo se convertesse a Cristo, mas na prática o que ele queria era que o amigo se tornasse membro de sua denominação. Passaram os dias, os meses e até anos e nada do amigo “se converter”. 

         O novo “crente” foi embora para São Paulo, em busca de trabalho e por lá passou uns dez ou doze anos e quando retornou - aqui mesmo numa cidade metropolitana do Recife, deu de cara com o velho amigo.  Se abraçaram e muito se alegraram. Para surpresa do amigo que havia retornado, o outro fez uma confissão, e vejam o diálogo entre eles: 

 - Irmão. Suas orações foram atendidas. Eu me converti. Agora sou crente, graças a Deus.

         O abraço agora foi dobrado de alegria. Quando o crente mais antigo indagou: - Mas qual a igreja que o irmão está congregando mesmo? -- Igreja tal.....

       No mesmo instante o “crente mais velho” soltou do abraço e questionou:

- Mas irmão, eu pensei que você era crente de verdade. Mas nessa igreja?...

       Dai em diante, não precisa continuar a narrativa, pois, por mais que o novo convertido explicasse a sua conversão, nada interessava ao outro “irmão”, pois para ele só a sua denominação era a igreja verdadeira...

         Outro caso, em minha própria família. Vejam:

       Faleceu um membro com mais de oitenta anos. Como a família era em sua grande maioria, católica, na época o corpo era levado ao templo católico para o cerimonial religioso, comum em todas as correntes religiosas. O problema foi que alguns familiares, inclusive filhos da falecida, não entraram no templo católico, pois faziam parte de outra “agremiação religiosa”, e lá, são orientados a não adentrarem em igreja de outra confissão.     

          Outro caso foi de um irmão evangélico que faleceu com quase noventa anos e que fazia parte de uma denominação muito conhecida em todo o país. Acontece que ele tinha filhos que pertenciam a outra denominação, também evangélica. Como o corpo estava sendo velado na igreja onde o pai congregava, os filhos da outra "agremiação" não entraram, nem participaram do cerimonial; ai eu acrescento, por minha conta (Para não se contaminarem, já que se consideravam santos e puros).   

         Esses são apenas três casos, de centenas de milhares que acontecem todos os dias, e, digo com conhecimento de causa, em praticamente todos os segmentos, pois se sentem os “donos do céu”. 
               
           Para não dizer que só acontece com os evangélicos, certa feita passava na calçada de uma senhora idosa que estava sem conseguir ligar sua TV, e, por me conhecer, me pediu para ver se eu conseguia fazer o aparelho funcionar.  Como o problema era apenas na pilha do controle remoto, em menos de um minuto coloquei a TV em funcionamento. O problema foi que ela assistia o programa do Ratinho e naquela hora passava uma atriz famosa contando o testemunho de uma cura de um câncer que tomou praticamente o seu rosto inteiro. Essa atriz se converteu ao evangelho e, com o rosto banhado de lágrimas testemunhava a sua graça alcançada. Pois bem, a dona da TV, que era católica, quando viu que a atriz tinha se convertido ao evangelho, imediatamente desligou a TV, dizendo um monte de impropérios, pois não queria aquilo em sua casa. Eu ainda tentei argumentar, mas não teve jeito. O preconceito, pelo menos naquele saiu vencedor. E olhe que me conhecia e sabia que eu era evangélico!


        Naquela hora eu questionei: Senhor, como é difícil as pessoas se converterem a Ti. É muito mais fácil se converter a uma igreja ou a uma religião, do que ao filho de Deus.

      Graças a Deus existem também muitos casos de irmãos verdadeiramente convertidos (tenho muitos irmãos e amigos assim, tanto evangélicos quanto católicos), compreensivos, abertos ao diálogo e que procuram viver mais o verdadeiro evangelho do que se autoproclamar “procurador federal do céu”. Pra eles deixo o meu abraço fraterno.

 
         Mas, como o tema aqui também fala de política, vemos a ela:

        Me chamou atenção recentemente, uma entrevista que assisti do cantor cearense Raimundo Fagner ao jornalista Pedro Bial, na Rede Globo. Disse o cantor que “perdeu a amizade” de muitos anos com o amigo e também artista Chico Buarque. O motivo que causou essa ruptura foi a política. É que Buarque defendia o Partidos dos Trabalhadores e sua ideologia, enquanto Fagner, que também já votou naquele partido, nessas últimas eleições apoiou Ciro Gomes, seu conterrâneo e no segundo turno, por falta de opção, votou em Bolsonaro.  Foi o suficiente para que as peladas que jogavam juntos, as músicas que gravaram, shows que já fizeram lado a lado, perdessem todo o sentido e se iniciasse um silêncio sepulcral entre os velhos amigos. Já pensaram!. Parece que no Brasil só existe um partido ou uma ideologia política. Pensar diferente é para alienados, coxinhas, adjetivos similares.   

           Outra personalidade artística que também foi vítima desses ataques foi a atriz Regina Duarte, também entrevistada por Pedro Bial. Declarou que como se posicionou contra a esquerda foi brutalmente criticada, apesar de por muito tempo ter sido uma representante e defensora da mulher, através da série "Malu Mulher", que retratava a condição da mulher brasileira no final dos anos setenta. 

         As redes sociais estão “entupidas” de guerras. Dioturnamente seus usuários estão mais armados do que “os canhões de Navarone”, procurando publicações ate no exterior de quem seja contrário ao seu partido ou seu candidato para contra-atacar, e, nesse quesito não tem santo nem pecador. Todos, com raríssimas exceções são excelsos guerrilheiros. Parece que não é só no campo municipal; no nacional também as eleições nunca tem fim. Ainda estamos em período eleitoral. Xingar, ridicularizar, “passar na cara” está mais na moda do que o novo corte de cabelo de Neymar. Em meio a essa batalha todos se acham puros, santos, corretos e símbolo de educação.

             E ainda querem um mundo melhor. Cheio de paz. É possível?

             Tirem suas conclusões!

             Por enquanto eu fico por aqui, vendo “a banda passar” e espalitando meus dentes.    
   


  
   








       

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A VELHA RADIOLA DO MEU PAI E SUA INFLUÊNCIA EM MEU GOSTO MUSICAL





       Costumo dizer que, graças a Deus não tenho nenhum vício que venha prejudicar minha vida. Não fumo, não faço uso de bebidas alcoólicas e não jogo, nem mesmo futebol pois sempre fui um verdadeiro “perna de pau’. Entretanto, existe um vício que me acompanha desde os tempos de infância, que nunca pensei em abandonar ou substituir. Trata-se do gosto pela música.

       No tempo de infante, meu pai possuía uma radiola, daquelas antigas, de madeira envernizada, com quatro pernas, uma tampa grande, na qual a gente colocava quatro ou cinco discos e ela, sozinha, ia tocando um a um, automaticamente. Como criança, ficava “bestificado” em ver aquele pedaço de ferro subindo e descendo sozinho e fazendo cair o disco, enquanto o braço com a agulha pousava justamente no início do elepê, sem auxilio da mão humana. Era um orgulho da família ter aquele instrumento em sua sala principal. Para alguns, soava como sinal de prosperidade.

       Meu pai costumava ouvir canções de Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Agnaldo Timóteo, Luiz Gonzaga, Orlando Dias, Vicente Celestino, dentre outros artistas que marcaram sua geração. Outro disco daquela época que marcou minha infância foi o de José Ribeiro: “A beleza da rosa”. Achava linda a introdução, quando o instrumentista dedilhava cada corda do violão e aquele vozeirão iniciava: “Tens a beleza da rosa, uma das flores mais formosas, tu és a flor do meu lindo jardim que eu a quero só para mim...”.

       Passado o tempo, muita coisa mudou. Meu pai passou de porteiro a proprietário do cinema da cidade, o Cine Veneza, que pertencia ao popular Jurandir de João Grosso e eu também deixei de ser criança e entrei para a adolescência. Com a compra do cinema, eu era o responsável pelo serviço de som, fazendo tocar as músicas e, mesmo com a voz em formação, ora aguda, ora grave como acontece com todo adolescente, anunciava o filme a ser exibido a noite:

    “Você que é fã da sétima arte, não perca esta noite, nas telas do Cine Nevada a superprodução italiana-americana “Um Dólar Entre os Dentes”, com Tony Anthony. Direção de Luígi Vanzi. Venha você e traga toda sua família. Logo mais às 08:00 horas da noite. Você não pode perder!”.



       Em seguida colocava aqueles “bolachões” pretos na vitrola e aumentava o som.  Na pequena cidade, cinco difusoras (cornetas) montadas, duas em cima do próprio prédio do cinema, outra no auto da Loja São Paulo (centro da cidade), a quarta em cima no açougue municipal, e a quinta no antigo sinuca de Zé Soares, faziam com que todos ouvissem as músicas e os convites para o filme a ser exibido naquele noite.

       Em dias de sábado e domingo, passava o dia inteiro no primeiro andar do cinema fazendo esse trabalho, que para mim era mais uma diversão. Acredito que foi mais um dos motivos que me fizeram tornar um apaixonado por música. Dos mais variados gostos e estilos, sempre tive a música como um “acalanto” para as nossas almas.

       Em se falando desse assunto, de lá pra cá, muita coisa mudou. Com raríssimas exceções, as rádios não tocam mais músicas de qualidade. No meu entender, o “bate estaca” assumiu o lugar da boa música. “Beber, cair levantar e similares” assumiu o lugar das velhas canções românticas e esses novos produtores ganham rios de dinheiro, gastando parte dele para que as rádios toquem suas “cantilenas” diariamente até que o povo se torne viciado em suas letras fáceis e melodias pobres.

       Entretanto, ainda existe muita música de qualidade, bons instrumentistas, letras e melodias que nos fazem refletir sobre o sentido da vida e muito me alegra vez por outra ouvir essas canções, nos dando esperança de que existe sim, espaço para a arte musical, nos seus mais variados estilos.  Aproveito este espaço para citar uma banda que tem um gênero musical muito bom e letras que valem a pena ouvir. Trata-se da banda Jota Quest, da qual destaco a canção “Dias melhores” que o leitor pode conferir no link ao final desta postagem.          

       Enquanto isso, resta a saudade da minha infância e daquela velha radiola, que desapareceu de casa, sendo substituída por outro instrumento mais moderno, como acontece com muitas coisas da vida...

  Fiquemos com versos da canção que citei no final desta postagem. Dias melhores, de Jota Quest.


“Vivemos esperando dias melhores
 Dias de paz, dias a mais
 Dias que não deixaremos para trás.
Vivemos esperando o dia em que seremos melhores,
Melhores no amor, melhores na dor,
Melhores em tudo.
Vivemos esperando o dia em que 
seremos para sempre...”
  

                           .
 Dias melhores - Jota Quest